PÉRSIA ESTREIA EM SP

Nos seus 35 anos de trajetória, o Grupo Sobrevento nunca deixou de lado sua característica inicial: pesquisar linguagens para a cena. Pérsia, que estreia no dia 11 de março, às 20h30, no Espaço Sobrevento, celebra a data e mantém a ideia de seus fundadores, Sandra Vargas e Luiz André Cherubini, de contar histórias com laços entre países. A peça, criada ao longo de 2021, se propõe a investigar as conexões entre a cultura brasileira e a persa, especialmente nos campos do Teatro e da Música, buscando enxergar, em um espelho iraniano, o nosso reflexo. A montagem fica em cartaz até 1º de maio (sextas e sábados, às 20h30, e domingos, às 20h). A entrada é gratuita e é possí vel reservar ingressos pelo email info@sobrevento.com.br. O Espaço Sobrevento fica na Rua Coronel Albino Bairão, 42 - Metrô Bresser-Mooca.

A dramaturgia, ao misturar depoimentos do elenco e de imigrantes iranianos, revela anseios comuns de liberdade, de comunhão, de alegria. “O ceário é árido, apenas uma árvore seca, e representa um deserto, um sertão. Ao redor dela, os atores contam as histórias de iranianos que tiveram que deixar seu país, por diferentes motivos, e encontraram no Brasil um novo lar”, revelam os diretores Sandra Vargas e Luiz Andre Cherubini.

As personagens que, como aves migratórias, tiveram que deixar o seu lugar em busca de novas paisagens, confessam seus medos, seus sonhos, suas aflições, em palavras ditas e cantadas. Em cena, a casa é o único objeto que evoca as tantas moradas que deixaram para trás e que ainda carregam consigo. Ao longo do espetáculo – e dos relatos, as personagens vão preenchendo o deserto de suas memórias com pequenas casas, que lembram casas de passarinhos, criando pequenos mundos que ora podem ser um bairro, uma cidade ou um país. Em uma atmosfera mais íntima, o espaço teatral esta configurado em uma arena, e os figurinos de João Pimenta – premiado estilista que é parceiro do grupo há quase dez anos – carregam elementos de ambas as culturas.

O Grupo Sobrevento esteve em Teerã, em 2010, em um dos maiores festivais de Teatro do mundo, o Fajr Festival (Festival Liberdade). Naquela ocasião, o grupo conheceu a vitalidade do Teatro naquele país, com uma Cultura milenar de origem persa, que brilha em cada canto da cidade: no hotel que tem nome de poeta, na poesia que está na boca das pessoas, nos milhares de jovens na praça diante do centro cultural, nas longas filas para os teatros, na produção de conhecimento histórico e artístico dos já antigos cursos de Teatro e de Teatro de Bonecos (e de Música internacional e de Música tradicional iraniana) da importante Universidade de Teerã, na alma artística, culta, esperançosa e ansiosa por liberdade de todo um povo.

“Em um momento em que vemos a censura voltar a mostrar as suas garras, em que os artistas são atacados, em que ressurgem o dirigismo, a arbitrariedade e a intolerância, em que verdades de uns querem suplantar as verdades dos outros, o espelho iraniano lembra que uma Cultura de raízes profundas vinga mesmo no terreno mais árido, que a desertificação não seca a humanidade de um povo, que a guerra não arrasa a história de uma civilização, que decretos restringem gestos, mas não tem poder sobre consciências”, refletem os diretores.

Este projeto foi contemplado pela 35ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo — Secretaria Municipal de Cultura.