SÃO MANUEL BUENO, MÁRTIR NO SOBREVENTO

O espetáculo SÃO MANUEL BUENO, MÁRTIR será apresentado de 18 de agosto a 23 de setembro, aos sábados e domingos, 20h, no Espaço Sobrevento (Rua Coronel Albino Bairão, 42 – Metrô Bresser-Mooca), com ENTRADA FRANCA. Os ingressos podem ser reservados pelo e-mail info@sobrevento.com.br. A temporada faz parte do projeto O TEATRO ESQUECIDO NAS COISAS GUARDADAS, realizado pela 31a. edição do PROGRAMA MUNICIPAL DE FOMENTO AO TEATRO PARA A CIDADE DE SÃO PAULO.

O espetáculo conta a vida do personagem Dom Manuel, um padre que carrega, como um estigma, a dúvida de sua própria fé e da existência de Deus. A montagem recebeu indicação ao Prêmio APCA de Melhor espetáculo e Melhor Direção.

O texto foi escrito em 1930 pelo poeta, filósofo e escritor Miguel de Unamuno (1864-1936), reconhecido, não só pela qualidade de sua obra, mas também pelos sucessivos ataques à monarquia da Espanha. Nunca antes encenado, “São Manuel Bueno, Mártir” transformou-se em uma peça, dirigida ao público adulto, que conta a história de Dom Manuel (vivido por Maurício Santana), um padre que duvidava da vida após a morte e da própria existência de Deus. Através da narrativa confessional e em primeira pessoa de Ângela (Sandra Vargas), o texto embrenha-nos no drama íntimo do pároco, que está prestes a ser beatificado. Lázaro (Luiz Cherubini), irmão de Ângela, acaba de voltar dos EUA para a pequena cidade onde nasceu e tenta convencer Ângela a ir embora daquele lugar onde, segundo o personagem, “as mulheres mandam nos homens e os padres mandam nas mulheres”. Mas ela se recusa, convencida de que há questões a serem resolvidas por lá. A trama gira em torno do relacionamento desses três personagens: Ângela ganha profunda admiração e gratidão por Dom Manuel, que se transforma, de um mártir, em uma espécie de santo, apesar – ou justamente por causa – de sua dúvida e falta de fé.

Polêmico, Miguel de Unamuno (Bilbao, 1864 – Salamanca, 1936) foi filósofo, ensaísta, dramaturgo, romancista e poeta: sua obra literária gira em torno de três temas dominantes: o homem, a imortalidade e a Espanha. Paradoxal e contraditória, sua visão particular do mundo e a defesa apaixonada das suas ideias transformaram-no no centro de todas as polêmicas políticas e religiosas de seu tempo. Entre suas obras, destacam-se A Tia Tula, A Vida de Dom Quixote e Sancho e Niebla. Era praticamente uma versão real do próprio Dom Manuel: era um cético, mas tinha muita fé; criticava a Igreja e a fé cega, mas defendia que não poderíamos ser totalmente descrentes. “Chegamos a um espetáculo muito simples e muito delicado. Não queremos, nele, fazer uma demonstração de virtuosismo; não queremos impressionar, surpreender; não queremos falar da força, da vitalidade, da modernidade do Teatro de Animação; mas expor as nossas dúvidas, as nossas angústias, as nossas questões, a nossa fragilidade. A dúvida - que é o cerne deste espetáculo e do próprio texto que lhe deu origem – é, para nós, a melhor contribuição que o Teatro de Animação pode dar ao Teatro e que nós, artistas, podemos oferecer ao público”, explica Luiz André Cherubini, ator e diretor do espetáculo.

A montagem realizada pelo Sobrevento é pouco ortodoxa. Acontece em uma arena ocupada por uma mesa redonda, que representa o mundo. No centro dela, bonecos de madeira estáticos, fixos, sem qualquer articulação, confeccionados pelo escultor Mandi. São pelo menos 30 bonecos que representam os personagens da trama e o povo da pequena cidade onde se desenrola a história. Os três atores-manipuladores, representando os personagens Dom Manuel, Angela e Lázaro, movimentam estes bonecos como se fossem peças de xadrez ou figuras de um presépio. A trilha sonora do espetáculo, realizada ao vivo, foi criada especialmente pelo pernambucano Henrique Annes, um dos fundadores do Movimento Armorial, virtuoso do violão recifense e que comemora os seus 50 anos de carreira. A música de Annes, que transita entre o erudito e o popular, é executada por três músicos, ao violão, violoncelo e bandolim. “Ao longo do espetáculo, as figuras (bonecos) vão perdendo a sua forma, se decompondo, ficando cada vez mais distantes do figurativismo original, como em um livro, molhado pela água. O jogo de movimentação das figuras lembra um jogo de criança ou às vezes uma maquete, mas não há uma manipulação propriamente dita ou uma técnica de animação”, diz a atriz Sandra Vargas. Os espectadores presenciam um jogo, invadem a intimidade da cena e formam uma espécie de assembléia. O espaço cênico é uma espécie de poço escuro e o tampo da mesa é o próprio palco do espetáculo.

Esta é a 19ª montagem do Grupo Sobrevento, com 31 anos de carreira e um dos maiores expoentes brasileiros do Teatro de Animação. O espetáculo conta, ainda, com a delicada iluminação de Renato Machado, ambientação e orientação cenográfica de Telumi Hellen, figurino de João Pimenta, preparação cenotécnica e mecanismos de Agnaldo Souza e encenação de Luiz André Cherubini, que atua no espetáculo ao lado de Maurício Santana e Sandra Vargas.



A CORTINA DA BABÁ EM OUTUBRO

O ESPETÁCULO DE TEATRO DE SOMBRAS PARA CRIANÇAS EM TEMPORADA GRATUITA NO ESPAÇO SOBREVENTO

O ESPAÇO SOBREVENTO apresenta o espetáculo A Cortina da Babá, baseado no texto da escritora inglesa Virginia Woolf, de 6 a 27 de outubro, sábados, 11h, com ENTRADA FRANCA. As reservas podem ser feitas pelo e-mail info@sobrevento.com.br. Haverá sessões para escolas públicas, durante a semana, mediante agendamento. A temporada faz parte do projeto O TEATRO ESQUECIDO NAS COISAS GUARDADAS, realizado pela 31a. edição do PROGRAMA MUNICIPAL DE FOMENTO AO TEATRO PARA A CIDADE DE SÃO PAULO.

Uma babá borda animais em uma cortina e acaba caindo no sono. As figuras bordadas ganham vida, brincam e tentam agradar uns aos outros, pois sentem pena por saberem que estão sob o encantamento da feiticeira – que é a própria babá. Ao acordar de seu cochilo, tudo volta ao normal: os animais congelam-se, de volta, no tecido e ela continua a costurar.

Sob orientação do renomado Liang Juhn, diretor da maior e mais importante Cia. de Teatro de Sombras da China, o grupo Sobrevento explora nessa peça a técnica de silhuetas multicoloridas, que ficou conhecida como sombra chinesa, além de técnicas ocidentais modernas e as tradicionais sombras de mão.

Reconhecido como um dos maiores especialistas brasileiros na área de teatro de animação, o grupo já apresentou o espetáculo por todo o Brasil e em festivais internacionais como o Famfest – Festival Internacional de Teatro Familiar, em Santiago do Chile; CASA - Latin American Theatre Festival, em Londres; e fez uma turnê pela China em 2017, em Hangzhou, Kunshan e Shanghai.



TEATRO PARA BEBÊS

A Secretaria Municipal de Educação apresenta o espetáculo MEU JARDIM, para bebês, em 10 CEUs (Centro Educacionais Unificados), entre agosto e setembro. Confira a 'agenda'. Em outubro, MEU JARDIM participa do Festival Bábkarská Bystrica, na Eslováquia, e do XXIII Festival Internacional Galicreques 2018, na Espanha. Entediado, em meio a um deserto, um viajante decide criar um jardim. Mas como fazê-lo? A partir do texto da autora belga de origem iraniana Mandana Sadat, o Grupo Sobrevento compõe um espetáculo que fala de esperança, de sonho, do desejo e da possibilidade de transformar o mundo.

A Casa de Cultura São Rafael apresenta o espetáculo BAILARINA, para bebês, no dia 27 de setembro, quinta, às 15h. Uma mulher recebe de presente, de sua filha, uma caixinha de música, com uma bailarina. Entre colares e a dança da bailarina, ela se lembra dos sonhos esquecidos e abandonados e questiona o equilíbrio que buscou e que encontrou, mas que a afastou do risco, do medo, da queda e das emoções mais profundas que sua filha, agora, como quando pequena, teima em despertar.

O Sesc Jundiaí apresenta o espetáculo TERRA, para bebês, no dia 16 de outubro, terça, às 15h e às 19h. Uma mulher pisa na terra. Fazia tempo que não sentia a terra nos seus pés. Ao senti-la, lembra do carinho que brota da terra. Dela, desenterra os seus segredos, as coisas pequenas de que é feito o amor que cultivamos na terra. Inspirada na ideia de que as crianças costumam enterrar coisas que lhes são significativas, Sandra Vargas cria um texto que fala de memória, dos laços afetivos e do amor que está dentro de todos nós e que é a base de todo ser humano. Sandra Vargas, também atriz, apresenta-se na companhia de dois músicos, que tocam, ao vivo, violão (William Guedes, que responde pela direção musical e trilha composta especialmente para o espetáculo) e violoncelo (Denise Ferrari).